“A vida está linda” é como o caseiro Paulo de Sousa, de 30 anos, responde ao cumprimento simples: “Tudo bem com o senhor?”. Já faz 14 meses desde quando se submeteu ao transplante de medula óssea no Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC, o Hospital das Clínicas). Ontem, no segundo Encontro Natalino dos Transplantados de Medula Óssea, ele, a esposa Bia e o filho de cinco anos Luan estavam lá.
O procedimento de Paulo, como dos demais transplantados reunidos, chama-se autólogo. Parte da medula óssea é retirada do próprio paciente, tratada pelos médicos do Hospital das Clínicas e, em seguida, acondicionada pelas bioquímicas do Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará, o Hemoce. Desde a primeira consulta até o dia do transplante, são, em média, 80 dias.
A parceria Hemoce e HUWC ocorre desde 2008, quando, no dia 26 de setembro, houve o primeiro transplante autólogo de medula óssea do Ceará - completamente gratuito ao usuário. Desde então, foram 38 procedimentos similares em pacientes cearenses do Sistema Único de Saúde, o SUS, com doenças onco-hematológicas - leucemia, linfoma, mieloma múltiplo e mielodisplasia. Todos feitos pela HUWC/Hemoce.
“Temos hoje fila com cinco pessoas. Como não é preciso esperar pelo doador, a espera é pelo tratamento do próprio paciente e pelos leitos disponíveis. Essas cinco estão já tratadas, mas temos apenas dois leitos. O ideal seria se tivéssemos, no mínimo, dois a mais”, avalia o chefe da equipe de transplantes do Hospital Universitário, Fernando Barroso.
Depois dos seis meses em casa e dos vários exames, o paciente do transplante autólogo é tratado como recém-nascido, precisa de todas as vacinas infantis outra vez. Dali em diante, a vida precisa de mais cuidado e constantes visitas ao médico.
Fora isso, Paulo ganhou o viço da pele de novo: “O filho do meu patrão é médico, ele quem descobriu o câncer. Teve época que minhas plaquetas chegaram a cinco mil. Ele me disse: ‘Mas você quase morre, hein?’. Pois é. Mas tô aqui”.
Janaína Brás
janainabras@opovo.com.br
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